domingo, 3 de março de 2013

Terceira Revisão - 6000 Km

Ontem, 02 de Março fomos eu e minha Mirage rumo à Rota 66 da Sete Portas para a revisão de 6000. Como estou trabalhando fora da cidade e será assim pelos próximos 2 meses, tenho apenas os sábados e domingos na cidade. Como a moto estava com 5600 Km, achei que não haveria problema em antecipar a revisão em 400 km, já que eu não precisaria utilizá-la durante a semana. Em minha cabeça seria simples: Eu deixaria a moto lá no dia dois e os mecânicos teriam tempo suficiente para me devolver a moto no dia 15 de março. Assim, eu não ficaria infernizando a vida deles ligando para saber se a moto estava pronta e não sofreria tendo que pegar ônibus para trabalhar.

Na teoria a coisa parece muito simples, principalmente por se tratar de uma moto nova, com apenas alguns detalhes a serem observados.

Ao chegar ao meu destino, fui rapidamente atendido. Era por volta das nove da manhã e ao chegar me dirigi imediatamente ao guichê de marcação. Atendimento previsível:

Atendente: "É o quê?"
Eu: "Bom dia. Tudo certinho aí? É o seguinte: Estou com uma Mirage 150 aqui com 5600 quilômetros e gostaria de antecipar a revisão de 6000 km. Tem jeito?"
Atendente: "Tá agendado?"
Eu: "Não. É que não tenho pressa pois não estarei na cidade na próxima semana, então pensei que vocês poderiam ficar com ela aí e me entregar no dia 16, que é quando volto e precisarei realmente dela.
Atendente: "Dá não."
Eu: "Pq?"
Atendente: "Não está agendado".
Eu: "Certo. Como eu faço para agendar?"
Atendente: "Liga nesse número"

Escreveu em um papelzinho o número que eu deveria ligar e me deu.

Eu: "Ah... É uma central? Com quem eu falo quando atenderem?"
Atendente: "Comigo mesmo".
Eu: "Porra é essa? Você não pode agendar agora, então? Eu já estou aqui, a moto já está aqui, a gente resolve rapidinho isso."
Atendente: "Posso. Vou ver aqui qual o dia que está disponível."

Ele digitou algumas coisas no computador à sua frente e me retornou:
"Volta dia 16 e a gente tenta entregar até abril."

Bom, ao ver minha cara de bunda ao ouvir que teria que levar a moto exatamente no dia que eu precisaria dela ele se explicou dizendo que havia muito serviço pendente, que ele é a única Kasinski da região e precisa atender toda Salvador, Candeias, Camaçari, Feira de Santana e às vezes aparece serviço de outras cidades do interior e que a demanda é muito alta.

Perguntei então quanto custaria a revisão.
Deprimentes R$176 reais. E esta é apenas a terceira revisão.

Aí eu comecei a dizer que era um absurdo, que o preço era altíssimo para uma revisão de moto e que o tempo de espera era inaceitável e então... como todos sabem: Nada alegra mais um cliente insatisfeito do que ver outro cliente insatisfeito. Apareceram outros dois donos de motos para dar mais força ao meus reclames. Cada um narrando um drama diferente. Coisas bem parecidas: Motor despencou na rua, vazamento de óleo, combustível, descarga com som estranho, roda que folgou... coisas simples e corriqueiras.

Não demorou muito, o gerente foi solicitado a conversar com cada um separadamente.

O primeiro fui eu. Contei o meu dramalhão com a moto que tem apenas 4 meses comigo e não foi difícil encontrar uma vaguinha em sua oficina. Deixei uma lista de ações a serem feitas na moto e ele me prometeu que quando eu voltasse de viagem o serviço estaria feito.

Aceitei deixar a moto apenas se ele trocasse o marcador de gasolina e boia de combustível, que me certifiquei de saber antes se eles realmente tinham as peças na casa... e tinham.

Os outros problemas a serem resolvidos são:
  • Em alta rotação o motor faz o som semelhante ao de uma catraca de bicicleta;
  • A marcha está caindo sozinha... De ponto morto para primeira, de segunda para ponto morto, de terceira para segunda...
  • A partida elétrica não funciona mais;
  • A lâmpada do farol de estacionamento não funciona;
  • Vazamento de gasolina pelo bocal de gasolina (inclusive já "queimou" a pintura da moto no tanque)
  • Novo vazamento de gasolina pelo suspiro (havia sido corrigido à menos de 30 dias);
  • Sissy bar está absurdamente folgado.
Sobre o sissy bar, houve um detalhe que me deixou muito insatisfeito. Estava folgado pois não sei como um dos parafusos de sustentação havia se soltado e a cobertura cromada estava quebrada.

Bem... não sei como isso aconteceu e só percebi mesmo na hora do check-list de entrega.

Pelo custo das revisões, acredito que esta será a última. A moto deveria ser econômica também nos serviços de manutenção e não apenas no custo. Fora, a mesma revisão sai por R$56,00 e isso parece tirar toda a competitividade da concessionária, sem falar que a promessa de entrega é de no máximo 24 horas.

Promessas à parte, a minha vontade de comprar uma Comet GT250 ou a Mirage 650 (Estas eram minhas escolhas para a compra de uma moto de fim de semana) a cada mês diminui.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Pequenos problemas

Após quatro meses de experiência com a Mirage 150, posso dizer que registrei uma pequena quantidade de problemas com ela. Coisas simples que foram corrigidas rapidamente ou que não influenciam muito na condução e manutenção do modelo. Ainda que sejam casos isolados e algumas situações apresentem casos irrelevantes, penso que os problemas apareceram cedo demais.
  • Aos 600 quilômetros o escapamento da moto simplesmente despencou na pista. Esta é uma ocorrência a meu ver atípica e que me colocou em uma situação de risco real. Consegui sem muita dificuldade parar no acostamento e voltar certa de 100 metros para recuperar a descarga, que estava muito quente. Tive que esperar a coisa esfriar para então amarrar (mal e porcamente) e lentamente me direcionar à Rota 66 de Vilas do Atlântico. 

  • Atendimento: Cordial e rápido, sem grandes protocolos o serviço feito imediatamente, sem esperas. Em 10 minutos a moto já estava pronta para uso.

  • Na primeira revisão de 1000 quilômetros foi constatado o mau funcionamento do medidor de gasolina. Isto aconteceu em 23/11/2012 com promessas que na revisão seguinte seria trocado. Infelizmente na revisão seguinte (19/12/2012) a peça ainda não havia chegado.  Hoje, 15/02/2013 a peça ainda não havia sido pedida pela concessionária.

  •          Em 16/01/2013 com 4.447 km houve um grande vazamento de gasolina. A moto ficava parada por alguns segundos no sinal e formava-se uma grande poça de combustível. Gastei dois tanques de combustível até encontrar tempo entre minhas obrigações para levar a moto à Rota 66. Diagnóstico: Sujeira em um aparelho chamado “Suspiro”. Limpeza: 4 dias parado e custo de R$30,00.


  •          Dia 10/02/2013 aos 5000 km a partida elétrica parou de funcionar. Fico feliz pelo modelo não ser acionado exclusivamente por este procedimento. Embora isto não me obrigue interromper o uso com a motocicleta, isto não deixa de ser um defeito.

Sobre os problemas que tive estes são os mais relevantes. Os cromados da motocicleta já começam a apresentar desgaste, embora sejam de plástico e as partes de metal já começam a apresentar sinais de oxidação. O motor faz um som estranho, semelhante ao som da catraca de uma bicicleta e nesta última semana o consumo apresentou alteração significativa, chegando aos decepcionantes 32km/l.

Problemas são normais de acontecer, eu apenas esperava que eles aparecessem um pouco mais tarde.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Considerações sobre o modelo

O uso regular desta motocicleta para o deslocamento casa x trabalho é realmente muito satisfatório. Não tenho mesmo do que reclamar sobre o conforto, estabilidade e questões similares. É fato que não sou um grande avaliador no assunto, mas posso afirmar que para as minhas necessidades ela se mostra uma excelente opção.

Rodo diariamente pelo menos 65 quilômetros. Os primeiros 30, 35 kms acontecem às sete da manhã e são feitos na orla marítima de Salvador. Um belo visual com vento e areia. Velocidade média de 78Km/h feitos em aproximadamente 25 minutos. Pista constantemente irregular com diversos "remendos" e alguns buracos. Chego ao trabalho muito bem, sem dores ou tensões. A moto se comporta muito bem no trajeto. Parado nos sinais não sou o primeiro a sair entre as motos e demoro um pouco para atingir os 70km/h permitidos pela via.

Até o momento, a velocidade máxima obtida pela moto foi de 90km/h cravados. Passei disso em duas oportunidades, em pequenos declives mas não acredito que seja uma constante nem penso que algum dia ela possa render os 150km/h vistos em vídeos no Youtube.

Com garupa ela rende da mesma forma. Sente um pouco o peso de dois passageiros nas arrancadas, mas nada que seja um problema para uso urbano. Com carga total de 153 quilos, ela se comporta de acordo com o prometido e o esperado para uma minicustom de 150 cilindradas. A posição do garupa é muito boa e minha namorada teceu vários elogios à pequena Mirage. O banco oferece uma boa postura em relação às pedaleiras e o encosto oferece um nível de conforto superior se comparado ao que encontramos em outros modelos de mesma cilindrada.

Ao passar em alguns inevitáveis buracos, ela se mostrou bastante robusta, não alterando curso, tonalidade do som ou irregularidades. Os pneus não são muito confiáveis, oferecem pouca aderência ao solo e não é difícil travar as rodas, de forma que o acionamento dos freios deve ser bastante cauteloso. Em chuva, os pneus obrigam o condutor a reduzir o ritmo de forma que qualquer deslise pode premiá-lo com um tombo bobo.

Quanto ao acionamento em dias de chuva,  ela ainda não apresentou o corriqueiro problema de morrer e não voltar a funcionar e nem houve dificuldade em acioná-la pela partida elétrica sob forte chuva.

Em geral, o desempenho é bom.
Foram feitas duas revisões, mas apesar de uma avaliação positiva há de se ressaltar alguns problemas pontuais com a motocicleta.






quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Primeiras impressões

Moto emplacada, capacete de brinde na cabeça e um enorme engarrafamento na sete portas sentido Pituba. Este era o cenário do inicio de noite daquela quarta-feira, 31 de outubro de 2012 em Salvador. Montado em minha nova motocicleta, de frente para rua e com a Rota 66 já de luzes apagadas olhei para a avenida que me aguardava cheia de carros, apertei firme a embreagem, acionei a primeira marcha com o pé e soltei a alavanca tão forte que parecia um piloto de fuga entre os carros. Me enfiei em uma chamada "boca de lobo" que cabia um caminhão dentro e fui ziguezagueando por um corredor de oito carros aos berros de um "freteiro" em uma combi: "Ói minha porra, seu porra!".

Passados os oito carros, encontrei o equilíbrio apertando o freio dianteiro. De imediato me perguntei "Pra quê eu fui escolher esta zorra?". Nas arrancadas seguintes passei a ser bem mais cuidadoso. Andei mais uns 800 metros e encontrei um posto de gasolina. Parei e enchi o tanque. Neste momento estava com 3 quilômetros rodados. Foram 11,91 litros de gasolina comum que me custaram R$33,94. Olhei para a bomba e fazendo careta resmunguei "Que porra é essa? Roubo da zorra!". O espanto se deu por estar acostumado a encher o tanque com apenas R$12,00. Em contra partida, minha autonomia era de aproximadamente 190 quilômetros.

Ainda reclamando fiz o seguinte cálculo: "Na Internet eles dizem que andam 40 Km com um litro. Como a moto é nova, devo fazer uns 30. São 13 litros, então eu poderia andar ainda uns... 40 quilômetros... Que porra!".

Com este primeiro tanque, consegui rodar por 308km fazendo 35,24km/l até o marcador de combustível acusar a reserva. Eis aí um problema que eu só perceberia mais tarde. O marcador chega na reserva quando você tem mais de 40% de combustível ainda.

Tanque cheio... Vamos para a rua.
A moto já não saltava como na primeira arrancada, mas eu não me sentia seguro. Pensava ainda em todos os lados contra da minha escolha e em como seria difícil para mim deixar o capacete pendurado na moto quando estacionasse. Pior ainda, carregar tralha sem o espaço debaixo do banco seria impossível. A cidade ainda estava bastante congestionada. Aos poucos fui arriscando entrar no corredor. Achei muito complicado manobrá-la por conta do retrovisor, que em conjunto com o guidão a deixam muito larga. Lentamente eu ia avançando entre os carros parados.

Para mim, vencer o engarrafamento em horário de pico já era um lucro absurdo frente aos carros. Embora me locomovesse lentamente, pouco a pouco ganhava tempo e confiança em minha pilotagem.

Vencida a dificuldade em passar as marchas, eu ainda tinha dificuldade em saber em que marcha eu estava. Algumas vezes, no desespero de não atrapalhar o trânsito, acabei por sair de terceira, o que deve ser péssimo para a moto. Alguns semáforos à frente, comecei a sentir falta de um indicador de marchas pois, inevitavelmente eu tentava passar uma inexistente sexta marcha na Mirage. Às vezes a rotação do motor me traía e eu reduzia a marcha quando deveria aumentar... Enfim... Coisas que a experiência vai ajustando.

Ao chegar em casa, não estava convencido de ter tomado uma boa decisão. Pensei muitas vezes neste primeiro trajeto em vendê-la, mas nada era só ruim. A suspensão e a posição de pilotagem eram o ponto alto deste modelo. Desde o primeiro momento, senti que frente às outras 150 esta era a melhor opção. Cheguei em casa e decidi rodar um pouco mais para me familiarizar mais com a troca de marcha. Este passeio de 59 km foi pouco a pouco me aproximando da moto.

Fim do passeio, parei na garagem e fiquei olhando atentamente às suas linhas. A moto é muito mais estreita que minha antiga "gorducha", não fosse pelo conjunto guidão + retrovisores. Comecei a pensar nas modificações que eu teria que fazer. Em ordem, precisaria instalar um baú de pelo menos 28 litros e um para-brisa. Depois o protetor de motor, um conta-giros, marcador de marcha... Se eu continuasse a minicustom ficaria parecendo uma árvore de natal.

Após me familiarizar com a moto, cheguei à conclusão de que esta não seria a moto definitiva para mim, mas pelo que paguei somado ao que as outras 150 cilindradas ofereciam, sem dúvida era a melhor opção tanto em estilo, conforto e possibilidades de personalização.

O preço de revenda em nenhum momento me incomodou, muito menos o fato de ser Kasinski. O que me deixava inseguro era muito mais a minha habilidade como piloto do que as possibilidades que a moto me oferecia. Honestamente, estava ansioso para acordar no dia seguinte e ver como eu chegaria ao trabalho, como seria o percurso e como me comportaria na pista irregular entre Itapuã e Vilas do Atlântico. Minha maior preocupação era se eu chegaria no trabalho muito cansado.