quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Primeiras impressões

Moto emplacada, capacete de brinde na cabeça e um enorme engarrafamento na sete portas sentido Pituba. Este era o cenário do inicio de noite daquela quarta-feira, 31 de outubro de 2012 em Salvador. Montado em minha nova motocicleta, de frente para rua e com a Rota 66 já de luzes apagadas olhei para a avenida que me aguardava cheia de carros, apertei firme a embreagem, acionei a primeira marcha com o pé e soltei a alavanca tão forte que parecia um piloto de fuga entre os carros. Me enfiei em uma chamada "boca de lobo" que cabia um caminhão dentro e fui ziguezagueando por um corredor de oito carros aos berros de um "freteiro" em uma combi: "Ói minha porra, seu porra!".

Passados os oito carros, encontrei o equilíbrio apertando o freio dianteiro. De imediato me perguntei "Pra quê eu fui escolher esta zorra?". Nas arrancadas seguintes passei a ser bem mais cuidadoso. Andei mais uns 800 metros e encontrei um posto de gasolina. Parei e enchi o tanque. Neste momento estava com 3 quilômetros rodados. Foram 11,91 litros de gasolina comum que me custaram R$33,94. Olhei para a bomba e fazendo careta resmunguei "Que porra é essa? Roubo da zorra!". O espanto se deu por estar acostumado a encher o tanque com apenas R$12,00. Em contra partida, minha autonomia era de aproximadamente 190 quilômetros.

Ainda reclamando fiz o seguinte cálculo: "Na Internet eles dizem que andam 40 Km com um litro. Como a moto é nova, devo fazer uns 30. São 13 litros, então eu poderia andar ainda uns... 40 quilômetros... Que porra!".

Com este primeiro tanque, consegui rodar por 308km fazendo 35,24km/l até o marcador de combustível acusar a reserva. Eis aí um problema que eu só perceberia mais tarde. O marcador chega na reserva quando você tem mais de 40% de combustível ainda.

Tanque cheio... Vamos para a rua.
A moto já não saltava como na primeira arrancada, mas eu não me sentia seguro. Pensava ainda em todos os lados contra da minha escolha e em como seria difícil para mim deixar o capacete pendurado na moto quando estacionasse. Pior ainda, carregar tralha sem o espaço debaixo do banco seria impossível. A cidade ainda estava bastante congestionada. Aos poucos fui arriscando entrar no corredor. Achei muito complicado manobrá-la por conta do retrovisor, que em conjunto com o guidão a deixam muito larga. Lentamente eu ia avançando entre os carros parados.

Para mim, vencer o engarrafamento em horário de pico já era um lucro absurdo frente aos carros. Embora me locomovesse lentamente, pouco a pouco ganhava tempo e confiança em minha pilotagem.

Vencida a dificuldade em passar as marchas, eu ainda tinha dificuldade em saber em que marcha eu estava. Algumas vezes, no desespero de não atrapalhar o trânsito, acabei por sair de terceira, o que deve ser péssimo para a moto. Alguns semáforos à frente, comecei a sentir falta de um indicador de marchas pois, inevitavelmente eu tentava passar uma inexistente sexta marcha na Mirage. Às vezes a rotação do motor me traía e eu reduzia a marcha quando deveria aumentar... Enfim... Coisas que a experiência vai ajustando.

Ao chegar em casa, não estava convencido de ter tomado uma boa decisão. Pensei muitas vezes neste primeiro trajeto em vendê-la, mas nada era só ruim. A suspensão e a posição de pilotagem eram o ponto alto deste modelo. Desde o primeiro momento, senti que frente às outras 150 esta era a melhor opção. Cheguei em casa e decidi rodar um pouco mais para me familiarizar mais com a troca de marcha. Este passeio de 59 km foi pouco a pouco me aproximando da moto.

Fim do passeio, parei na garagem e fiquei olhando atentamente às suas linhas. A moto é muito mais estreita que minha antiga "gorducha", não fosse pelo conjunto guidão + retrovisores. Comecei a pensar nas modificações que eu teria que fazer. Em ordem, precisaria instalar um baú de pelo menos 28 litros e um para-brisa. Depois o protetor de motor, um conta-giros, marcador de marcha... Se eu continuasse a minicustom ficaria parecendo uma árvore de natal.

Após me familiarizar com a moto, cheguei à conclusão de que esta não seria a moto definitiva para mim, mas pelo que paguei somado ao que as outras 150 cilindradas ofereciam, sem dúvida era a melhor opção tanto em estilo, conforto e possibilidades de personalização.

O preço de revenda em nenhum momento me incomodou, muito menos o fato de ser Kasinski. O que me deixava inseguro era muito mais a minha habilidade como piloto do que as possibilidades que a moto me oferecia. Honestamente, estava ansioso para acordar no dia seguinte e ver como eu chegaria ao trabalho, como seria o percurso e como me comportaria na pista irregular entre Itapuã e Vilas do Atlântico. Minha maior preocupação era se eu chegaria no trabalho muito cansado.




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