Olá, senhores...
Estou criando este blog com aproximadamente 3100 quilômetros de atraso.
Minha intenção não é exatamente criar um ponto de discussão, mas ter um lugar onde posso registrar minhas impressões e experiências com a Mirage 150 e com a concessionária da Kasinski Rota 66, de Salvador.
O título deste blog é uma referência a um blog que visitei muito nos últimos dois anos e que me serviu de uma profunda inspiração para a criação deste "diário". O blog Eu e meu Citycom 300i escrito pelo Fabrizio me foi uma grata companhia por muitas noites e embora nunca tenha me manifestado publicamente a respeito da motocicleta, suas postagens me ajudaram ter uma visão crítica honesta, livre de preconceitos a respeito da Dafra e da célebre frase "Honda é Honda". Acredito que blogs como o dele são importantes por auxiliar pessoas que estão no processo de decisão por uma marca ou outra, afinal, são impressões imparciais de proprietários que vivenciam os prós e contras de suas escolhas.
Em verdade, minha grande paixão em motocicletas são as Scooters e em especial, a Citycom 300i vendida pela Dafra. Era esta a minha escolha primordial em outubro (2012), quando decidi trocar a minha primeira motocicleta, uma Honda Lead vermelha que peguei surrada em março (2012), aos 22.000 kms de um motoboy de São Paulo. Andei com ela exatos 10.000 kms quando a vendi por módicos R$2500,00.
A minha impressão da motocicleta era muito positiva, sobretudo pela praticidade do câmbio CVT e pelo espaço debaixo do banco. Para mim, estas duas características eram imbatíveis e equilibravam o fato de suas rodas serem pequenas e o curto curso da suspensão tornarem a viagem muitas vezes uma tortura, do alto dos meus 1,85 metros de altura. Muitas vezes eu parecia um adolescente andando de velotrol.
Então, com o valor da minha venda em mãos e o saldo de minhas economias até o momento, corri para a única concessionária Dafra em Salvador ansioso para ser proprietário de uma Citycom 300i branca. Minha intenção era dar R$6000,00 de entrada e financiar o resto. Fiz o teste-ride e foi amor à primeira montada. Era aquela a minha próxima moto e havia feito disso uma ideia fixa, não fosse um detalhe com o qual eu não contava: Financiamento. As parcelas até cabiam em meu orçamento, tranquilamente. Tinha acabado de trocar de emprego, estava me sentindo o cara, só que o banco com o qual a Via Motos (CC Dafra) trabalha exigia o mínimo de 1 ano e 6 meses de carteira assinada. Tentei todas as formas de acordo e não tive sucesso. A moto não poderia ser minha em hipótese alguma.
Assim, tive que buscar por uma solução alternativa. Eu precisava de uma moto confortável tanto para mim quanto para o carona, que fosse econômica e que me permitisse colocar um pequeno baú para guardar um capacete e transportar pequenas cargas e de preferência, tinha que ser Dafra. Não importava o que os outros diziam sobre a marca ou desvalorização na revenda. Eu queria uma moto para mim, para ir ao trabalho todo dia, visitar namorada nos fins de semana e ter a liberdade que um carro não proporciona. Não tinha intenção de vender a motocicleta logo ou ganhar dinheiro com a sua venda. Pelos blogs, fóruns de discussão e matérias em sites especializados que eu acompanhava, a Dafra vinha se esforçando para atender o consumidor brasileiro. Isso me agradava bastante, além dos elogios à parceria com a SYM e com a TVS.
Desta forma, fui obrigado a buscar uma nova opção em motocicleta. Experimentei a street do ano deles. Recém lançada, a Next 250 era uma novidade bastante atraente. Bonita, com um bom porte e confortável... apenas para o piloto. O acento traseiro é a uma tábua de passar. O formato meio esportivo pode ser bom para impressionar as "piriguetes" de plantão, mas para a futura mãe dos meus filhos eu queria algo melhor.
Testamos também a Apache 150 . Particularmente, gostei mais dela do que da Next, mas a primeira coisa que ouvi foi "Não, mô! Essa é muito feia. Parece um besouro." Embora eu tivesse gostado bastante da pilotagem nela, o modelo indiano só não foi descartado de imediato por causa do preço.
Assim, a Dafra não me dava mais opções. Fiquei um pouco chateado com isso, mas tinha que fazer novas escolhas. Entraram então na roda as seguintes opções:
- Honda Biz 100: Eu não ficava muito feliz em usar uma Cub. Não gosto do modelo por ser baixo demais e em minha opinião, é uma motocicleta que não se decide. Não sabe se é scooter ou motocicleta. Pela economia (Especialistas vendem a ideia de que chega a fazer 60km/l. Eu não acredito muito) eu até arriscaria uma, mas ficaria apenas o tempo necessário para juntar a grana e trocá-la pela Citycom.
- CGs e similares: Sou taxativo e até um pouco preconceituoso: "Moto de ladrão e ponto final." Muito visada, a polícia sempre para e trata muito mal o condutor destas motos. Ok... moto de correria, com tudo nela muito barato, respeito quem gosta do modelo mas definitivamente não é o meu perfil.
- Honda Lead: A última coisa que eu queria era voltar para a Lead, mas diante das circunstâncias, parecia a ser a opção mais próxima da minha realidade.
Por não simpatizar com nenhuma das opções, acabei optando por voltar à Via Motos e comprar de uma vez a Apache. Minha intenção era ficar com ela até juntar a grana para comprar à vista a Citycom 300i. Nela, eu andaria sozinho e quando fosse na casa da namorada, arranjaria um carro pois ela se negava veementemente a assumir a garupa deste modelo.
Ao chegar na concessionária, não havia vagas para estacionar, quando então me vem um insight: "Zorra! Tem a Kasinski!". Até conhecer a Citycom, meu modelo ideal de motocicleta era Custom. Sempre falei entre os amigos que se um dia comprasse uma moto seria uma Custom grande. De estrada, com bolha, alforge e "uscambau".
Corri para a Rota 66 imediatamente. Chegando lá, dei uma olhada rápida nos modelos disponíveis com um certo receio mas o meu objetivo era comprar uma moto barata, o menor preço possível. Olhei atentamente alguns modelos e gostei muito da Comet GTR 250 e da Mirage 650, mas eu não estava lá por elas, o que eu buscava não estava nestas categorias.
Conversando com o vendedor, ele me apresentou por R$7800,00 a nova Mirage 150 2012/13. Quase nenhuma diferença visual entre ela e os modelos que vi na Internet serem apelidados de "Kebrasinski". Quanto ao seu desenho, nada a declarar. Acho ela muito magra para uma moto Custom, mas nada que a caracterize para mim como uma moto feia. Conversamos um pouco e pedi para montar nela, o que foi uma surpresa muito positiva. A forma do assento proporciona uma posição confortável e as pedaleiras, ao contrário dos modelos esportivos que experimentei estão um pouco à frente, o que me deixa com o joelho dobrado em exatos 90 graus. O guidão largo é muito confortável também e em conformidade com a minha altura. Dei uns saltos nela para sentir os amortecedores trabalharem e eles me pareceram responder bem. Saí da moto com a impressão de que seria uma boa escolha se eu tivesse a sorte de não ter os problemas relatados por outros proprietários. Tive vontade de dar uma andada com ela, mas não havia nenhum modelo para teste.
Fiquei olhando para ela e calculando o custo benefício. Eu já estava frustrado por não comprar a moto que eu realmente queria e que achava combinar perfeitamente com o meu perfil. Agora a coisa tinha mudado e minha intenção era comprar uma moto barata, mas confortável, que me permitisse chegar inteiro no trabalho (São 64 Km's por dia ida e volta). Com vontade de apostar na Mirage, mostrei o panfleto da Apache com o preço de R$5.600,00. Um dos vários modelos 0 Km ano 2011 que tinha sobrado na loja. O preço era bastante competitivo e estava quase dentro do meu esperado. Minhas palavras para o vendedor foram "Você não consegue baixar esse preço aí não? Tô indo na Dafra agora comprar essa moto aqui, ó.". Dei as costas em direção ao carro, quando me surge o gerente da loja, saca uma calculadora e diz um sonoro "R$4980,00 emplacada!".
Zorra! Concorrência é fogo!
A moto era a única 2010 à disposição. Um modelo azul em excelente estado, zero mesmo, sem nenhum arranhão e ainda com os plásticos de proteção. Não pensei duas vezes e fechei negócio. Mantive minhas economias na poupança e passei a moto no cartão em 12 vezes sem juros. Melhor que qualquer financiamento que eu fosse fazer, afinal, pagando no cartão de uma vez a moto sai quitada, em meu nome sem pendência alguma em banco algum. Não é possível que ela fosse quebrar tanto a ponto de me arrepender em menos de um ano.
E então, às 17:30 do dia 31 de outubro de 2012 eu entrei para o mundo das Motocicletas Custom à bordo de uma Mirage 150.